Existem diversos conceitos na literatura para o termo empreendedor e empreendedorismo. Foram os economistas Jean Baptiste Say e Richard Cantillon os primeiros a escrever sobre o tema, no final do século XVIII. Jean Baptiste Say enfatizou que o empreendedor exerce as funções de reunir diferentes fatores de produção, de gestão e a capacidade de assumir riscos. Richard Cantillon identificou o empreendedor como alguém que assume riscos no processo de comprar serviços ou componentes por certo preço com a intenção de revendê-los mais tarde a um preço incerto. Em 1934, Joseph Schumpeter projetou o termo e o associou ao conceito de inovação, apontando-o como o elemento que dispara e explica o desenvolvimento econômico.
O início do processo empreendedor pode estar relacionado a diversos factores, como social, ambiental, pessoal, ou mesmo a soma destes. Entretanto, é marcado com a percepção de uma nova oportunidade de negócio no mercado. Vista desta forma, o carácter empreendedor não é nato, mas é desenvolvido a partir de circunstâncias que o favorecem. Contudo exige uma postura de estudos e preparação, persistência e, sobretudo, responsabilidade, e aspectos socioeconômicos, ou seja, abrangendo desde os recursos humanos, tecido produtivo e empresarial, sistema financeiro, infra-estruturas comerciais de modo a facilitar o acesso ao mercado. Por isso tendem se realizar mudanças das organizações tantos estatais como as financeiras, entrando assim num ambiente globalizado.
Porém as mesmas têm de redefinir constantes estratégias de actuação, deixando de lado estruturas piramidais e passando a adoptar estruturas mais flexível, de modo a visar à qualidade, a descentralização das decisões, a criação de unidades autônomas de negócios e a formação de grupos de trabalho estimulando dessa forma o surgimento e a implementação de acções inovadoras. A inovação passa ser o principal elemento adicionador de valor das organizações e constitui-se na base da competitividade delas.
Em Cabo Verde o comportamento empreendedor é ainda algo fraco, principalmente dos recém formados, fazendo com que estes tenham como o seu principal objectivo trabalhar num órgão estatal, órgão este que já não possui mais postos de trabalho. Esse comportamento é originário de vários factores, como tinha referido acima, os aspectos socioeconômicos têm muito peso, a liberdade econômica de Cabo Verde é estimada de 58,4%, acima da média da África Subsariana que se estima em 54,7%, e um pouco abaixo da média mundial que é de 60,6%. O sector privado ainda não é muito explorado, mas acredito que isso já vem melhorando bastante, mas mesmo assim ainda registra anomalias no seu processo de aceleração.
Segundo o Índice de Liberdade Econômica 2007, em Cabo Verde a propriedade privada conta com uma protecção bastante adequada de 70% (acima da média mundial), onde a constituição estabelece um poder judicial independente e o Governo geralmente respeita essa disposição. Por outro lado a liberdade comercial é de apenas 50,5% (abaixo da média mundial), existindo algumas burocracias para abrir uma empresa e além do mais a existência de carga tributaria alta, o que faz com que muitas actividades econômicas vivem na informalidade, o que lhes leva a estimar que o emprego informal represente cerca de 40% do emprego total.
Os órgãos estatais e financeiros devem desenvolver políticas monetárias (creditarias e subsidiárias) e fiscais destinados aos recém formados. Contudo ao entrarmos no campo das taxas de juros devemos nos lembrar que se trata de algo delicado, pois as medidas aqui têm de ser tomadas com prudência. Ela tem que ser favorável as instituições e aos recém formados de modo a dar um estimulo maior a criação dos seus próprios negócios o que terá uma repercussão enorme na economia de Cabo Verde, considerando que ao criarem os seus negócios automaticamente estão se empregando e empregando terceiros, ajudando dessa forma na redução do desemprego.
Lembremos que em Cabo Verde as taxas de juros não são baixas, porém taxas básicas de juros elevados apontam no sentido de que pode haver um processo inflacionário contínuo, ou ainda demonstram que o mercado financeiro percebe um risco mais elevado do país, em termos de sua capacidade de rolagem ou pagamento de parte da sua dívida pública. Assim em situações como estas, o mercado demanda taxas de juros mais altas, o que implica na piora da situação financeira do país no curto prazo.
Não somente as taxas de juros merecem um olhar cuidadoso, mas também os impostos, pois não adianta manter os impostos altos, mas sim reduzi-los evitando desse modo a clandestinidade e não só como também um incentivo a criação de mais empreendimentos, o que terá mais vantagens comparativas para todos. Vejamos, reduzindo a carga tributaria incentiva a criação de novas empresas e a conseqüente elevação da arrecadação de impostos sem aumento da carga tributaria o que fará com que haja a redução do desemprego como também as melhorias do mercado de bolsa de valores.
O comportamento empreendedor não depende somente do Governo, mas principalmente de nós estudantes, pois Cabo Verde já esta numa fase onde o Governo não pode ser só mais um fonte de emprego, muito pelo contrario todo Estado moderno precisa é de se concentrar nas áreas da educação, saúde, transportes, e funcionar como um estimulador do surgimento do sector privado e ficando assim como um agente regulador da economia. Nós estudantes temos de ser o sector privado, e para isso temos de ser pessoas inovadoras, com atitude, criatividade, responsabilidade, e que sabe assumir riscos e aproveitar as oportunidades.
Por isso deixo um apelo a todos os estudantes e os recém formados que criem um espírito empreendedor e também ao governo que investe na investigação e desenvolvimento de modo a alcançar uma maior taxa de inovações visando desse modo o desenvolvimento do país.
Jailson C. Teixeira Oliveira
Estudante de Economia de Universidade de
Brasília
Jailson1986@hotmail.com

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